08/07/2017

jardim das maravilhas!

A nossa hortinha é cheia de sorpresas, plantamos com mãe natureza no comando. Permacultura, black box e guerilla gardening, compostagem organica --- tudo isso faz parte do nosso dia dia na Casa Matria. Ervas sagradas, frutas e verduras deliciosas e flores de todas as cores são o agradecimento que recebemos. Um paraíso para acolher passáros de todos os tipos, bomboletas, macaquinhos e - claramente, as nossas gatas lindas.

10/03/2017

Capitães de Areia: a BBC na casa matria


… tanta coisa pra contar.

Acabamos de dar uma entrevista a BBC Worldwide sobre os capitães de areia de hoje. Longe de romantismo, em busca de traduzir uma realidade que vivemos na nossa comunidade no dia dia: a falta de direitos civis, a exclusão institucionalizada. Não se trata de desmascarar as gangues de hoje, de falar de grande ou pequeno crime, da violência dos pequenos. Não.
Não estamos buscando reduzir o problema da violência no Brasil as crianças que vão roubar para pagar as dívidas de drogas. Tem um sistema que mata. Um sistema de exclusão, onde crianças de 14 anos não tem mais chance para sobreviver com dignidade.

Estamos vivendo um estado de exceção no Brasil, nesse momento. Um pais sem governo eleito pelo povo, um estado de violência policial absoluta, acusado e documentado pela Amnesty Internacional, um estado onde os direitos dos pobres - dos negros, indigenas, das mulheres não valem nada.
Saúde, educação, assistência social - os programas de combate a pobreza e a fome como o bolsa familia, minha casa-minha vida - foram cortados. O governo neo liberal #foratemer faz de tudo para acabar com a justiça social.

Oferecemos uma tradução cultural para os jornalistas europeus, um olhar entre os mundos.
A nossa intimidade dentro da comunidade, a convivência com os nossos vizinhos, mas também as confrontações com prazo indeterminado com as instituições da cidade que nos permitem colocar o dedo na ferida: a Vila Brandão, assediada pela especulação immobiliária, pela gentrificação promovida por oligarcas das vizinhanças, e um "case study" de um Brasil das injustiças.

A BBC entrevistou 3 jovens da nossa Vila para falar sobre as proprias experiências, sobre a quotidianidade da exclusão. Nada fácil, analisar o que não funciona nesse estado. Nada fácil criticar instituições e sistemas que sempre lhe oprimem.
Os 3 fizeram um analise brilhante, falaram de uma realidade escondida a classe media - da vida dos jovens de comunidade.
A BBC vai transmitir essa reportagem ao mundo inteiro.
E o mundo vai escultar a voz dos jovens da Vila Brandão e de outras comunidades de Salvador.
Assim se torna visível o invísivel, e talvez a sociedade brasileira comece a conhecer mais do seu país pela midia internacional, já que a nossa tem um olhar um tanto inverso. 

BBC Worldwide: transmissão prevista para o dia 30 de março 

Agradecimentos 
aos entrevistados Zeca, Lu e Diva
e ao videomaker
Jon Lewis pela conexão BBCiana. 
Confira aqui alguns dos seus trabalhos: 
Yemanja - Mãe dos Pescadores from abobora on Vimeo.



28/02/2017

Resident: Tari Ngangura

Very proudly, we should finally start presenting our residents:


Tari Ngangura

is a multi-media journalist from Zimbabwe, based in Canada, and currently living her best life in Brasil. Her work on the matter of black lives, intersectional feminism and musical musings have appeared in multiple publications including Vice, Rookie Mag, Noisey, The Fader, Torontoist and Shameless Mag. Toni Morrison is her idol, Michael Jackson her hero, and she navigates life constantly asking, “What would 90s Nia Long do in this situation?” 
from: http://hazlitt.net/authors/tari-ngangura

Tari says about Casa Matria:

"As a journalist, I came to Brasil to document instances of racialized poverty, police violence and racism. While living in Vila Brandao, and being amongst the people I have heard and listened to their stories of oppression and survival. I have listened as they told me about the many ways they face systemic discrimination because they are poor and because they are black. It would not have been possible for me to hear these stories were it not for the accommodation I was offered by Silvia Jura and Celia Mara.
Casa Matria is an important social initiative as it helps foster conversations on race, power and privilege in Salvador. It is a microcosm that represents the power structures that exist in all parts of Brasilian life determined by economic wealth, access to education and healthcare.
What I have learned and seen in Vila Brandao will undoubtedly have an impact in the stories I write and the ways I choose to discuss anti-black racism and poverty on a global scale and its effects on black people. There are many similarities between the systemic oppression faced by people living in the townships of Soweto in South Africa, in inner city America cities and here in the favelas in Salvador, Bahia. Casa Matria has helped open my eyes to those oppressive links that come from years of racism and discrimination.
Casa Matria is a communal haven, based of a think tank structure that incorporates elements of social growth and equity in their works, to ensure that everyone can have access to a better quality of life. I will always appreciate everything I learned here and the role they have in the community, in a time of great unrest and inequality. "

Here a few links to her recent work

The political wall between my father and me / The Globe and Mail, Canada
How black history-month reminds me how exhausting it ist to be black / Vice

dear white people / Vice
tumblr.com
Qoshe

And we say: Thank you Tari!

We admire your courage, how you discover the world at your own pace. You are full of light and knowledge. Working all day long… and being in all our hearts!

30/08/2016

Parem de nos matar

Publicamos aqui o manifesto da rede das mulheres negras da Bahia.
Casa Matria apoia essa campanha com a sua rede de parceiros austríacos, buscando parcerias e apoio,  fazendo "lobbying" politico no contexto europeo, divulgando o manifesto e os assuntos na imprensa de lingua alemã.

 

PAREM DE NOS MATAR!

MANIFESTO

No Estado da Bahia nós, mulheres negras:
1. Morremos pela ação do patriarcalismo nas mãos dos maridos, amigos, namorados, vizinhos;
2. Morremos pela violência obstétrica e no silêncio covarde sobre o aborto;
3. Morremos pelos mamógrafos que não funcionam o ano inteiro enquanto que verbas consideráveis são investidas em Campanhas para realizar o Outubro Rosa;
4. Morremos pelas omissões e segunda violência no atendimento nas Delegacias Especializadas no Atendimento a Mulher (DEAM’s);
5. Morremos pela indicação de juízes para as Varas de Violência Doméstica, mesmo sendo eles abertamente adversários da Lei Maria da Penha;
6. Morremos com a permissividade e tolerância das autoridades com programas de TV’s que criminalizam a população negra e pobre; 
7. Morremos pelo encarceramento feminino que não é pauta nas mesas governamentais; 
8. Morremos quando enterramos as/os nossas/os filhas/os, sobrinhas/os, netas/os, afilhadas/os assassinados pela política das drogas e pela polícia;
9. Morremos quando as Universidades pensam que não somos sujeitas de conhecimento, nos utilizando apenas para os experimentos científicos cujos resultados não nos beneficiam com políticas públicas;
10. Morremos quando nossos territórios quilombolas, pesqueiros e de terreiros são roubados com a conivência e descaso do estado e dos órgãos de defesa que ficam em silêncio, frente à barbárie nos campos e nos assentamentos; 
11. Morremos quando não sabemos do que morremos...
Continuamos em Marcha!
Racistas, machistas, não passarão!
Tudo tenso!
Somos herdeiras de Maria Felipa, Lélia Gonzalez e Luiza Bairros!

Uma campanha promovida pela Rede de Mulheres Negras da Bahia

A Rede de Mulheres Negras da Bahia, nos últimos três anos, tem articulado e mobilizado mulheres de todo o Estado para lutar contra o racismo, o sexismo e a violência. Em tempos de fortalecimento do conservadorismo e consequente retrocesso político, assumimos, mais uma vez, nossa tarefa histórica de reorganizar umas as outras contra todas as formas de opressão que se levanta contra nós e contra o povo negro.

Mulheres negras na base da pirâmide social
A base da pirâmide social ainda continua pertencendo, por excelência, às mulheres negras que sustentam este país sem usufruir das riquezas que são produzidas. Em verdade, na maior parte das vezes nos falta o básico para que possamos construir uma vida com dignidade. Tanto no setor público quanto no setor privado o racismo tácito e velado assegura que os melhores postos de trabalho sejam reservados aos herdeiros das famílias tradicionais brancas. Em qualquer que seja o governo predomina os interesses do compadrio e das elites econômicas. A indiferença e a naturalização de nosso adoecimento e morte persistem e isso na maior parte das vezes, não é manchete na grande mídia.
Saúde
Segundo o Ministério da Saúde, 60% da mortalidade materna ocorrem entre mulheres negras, contra 34% da mortalidade entre mães brancas. Entre as atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 56% das gestantes negras e 55% das pardas afirmaram que realizaram menos consultas pré-natais do que as brancas. A orientação sobre amamentação só chegou a 62% das negras atendidas, enquanto que 78% das brancas tiveram acesso a esse mesmo serviço.
A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB) registrou, até o dia 28 de setembro de 2015, 540 óbitos por neoplasia maligna da mama em pacientes do sexo feminino. Constam nos registros da secretaria 1.490 internações por câncer de mama neste ano. As taxas de mortalidade continuam elevadas no Brasil, e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que sejam diagnosticados mais 57 mil novos casos, sendo 10,5 mil no Nordeste e 2.560 na Bahia.
 Violência
As mulheres pretas e pardas são a maioria entre as vítimas de homicídio doloso – aquele em que há intenção de matar – (55,2%), tentativa de homicídio (51%), lesão corporal (52,1%), além de estupro e atentado violento ao pudor (54%). As brancas só são maioria nos crimes de ameaça (50,2%). É fato que, gênero e raça quando combinadas reforçam a situação de vulnerabilidade. Além disso, o Brasil ocupa a 5° posição dentre 83 países em assassinato de mulheres. Entre 2003 e 2013 o número de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8% enquanto os homicídios de mulheres negras aumentaram 54,2% no mesmo período.

Violência psicologica
Mesmo quando escapamos da negligência do SUS somos vitimadas por doenças psíquicas causadas pelo racismo e sexismo presentes em nossa sociedade, como ocorreu com Joselita de Souza, que morreu de tristeza na última quinta-feira, dia 07 de julho de 2016. Joselita era a mãe do menino Roberto de Souza Penha morto em 28 de novembro de 2015 no Rio de Janeiro, ao ter o carro em que estava fuzilado com 111 tiros pela Polícia Militar do estado, quando, juntamente com seus amigos, comemorava o seu primeiro salário.

Por todos estes motivos lançamos a campanha PAREM DE NOS MATAR nesta quarta-feira, dia 13 de julho, a partir da qual pretendemos denunciar e enfrentar as diversas situações de violência que as mulheres negras vivenciam no estado da Bahia.
A iniciativa é uma proposta em continuidade à Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e Pelo Bem Viver, que levou cerca de 50 mil mulheres negras de todo o país à Brasília, em novembro de 2015. É mais uma frente de luta contra o avanço do racismo e sexismo em nosso estado que, embora tenha índices alarmantes de casos de violência física, psicológica e simbólica de meninas e mulheres negras, estes muitas vezes sequer tem causado indignação.
                                                                     
Salvador,13 de julho de  2016
Assinam este Manifesto:
Rede de Mulheres Negras da Bahia


23/07/2016

Rio 2016 - jogos olímpicos com defeito

O Brasil esta nos olhos do mundo. Rio 2016 concentrou a atenção mundial não no esporte, mas na situação dramática que o Brasil esta vivendo agora: um governo corrupto, sem legitimidade do povo, uma sociedade dividida e segregada, especulação imobiliária incontrolável, políticas desastrosas no setor ecológico.
O pais do futuro esta com problemas…

Desapropriações brutais como o caso da Vila Autodromo no Rio de Janeiro -  o parque Olímpico – onde estão sendo construídos apartamentos de alto luxo, já comercializados pela Odebrecht, estão na atenção mundial. A especulação imobiliária vira vergonha nacional.

Olhando a cidade de Salvador, o coração da cultura afro-brasileira, se mostram os mesmos problemas: a falta de dinheiro publico pela conservação do patrimônio histórico se compensa com uma gentrificação cruel, o racismo institucionalizado oprime a expressão cultural e social da população negra e gera uma exclusão do mercado de trabalho. A especulação imobiliária ignora questões ecológicas e as exigências das populações locais - a Vila Brandão vira exemplo de resistência as tentativas de desapropriação promovidas por uma elite gananciosa.

A jornalista Claudia Teissig, diretora da cultura da TV nacional áustriaca, viajou em fevereiro 2016 no Brasil e fiz uma reportagem sobre Rio de Janeiro, na vespera dos jogos Olímpicos. ; ela visitou também Salvador, onde acontecerão os jogos de football.
Veja a mateira aqui:
http://tvthek.orf.at/program/Kulturmontag/1303/Kulturmontag/13269619

Brasilien vor der Sommerolympiade


23:18 Min.
Brasilien richtet die Olympischen Spiele 2016 aus. In gut zwei Wochen, am 5. August werden die Spiele der XXI. Olympiade im weltberühmten Stadion Maracanã in Rio de Janeiro feierlich eröffnet. Allein in der legendären Stadt des Samba und der Strände wurden rund zehn Milliarden Euro in den Olympischen Park, sowie mehrere Millionen in Infrastrukturprojekte investiert.

20/12/2015

Carta aberta ao Prefeito de Salvador, ACM NETO

Inauguração da quadra da Vila Brandão, dia 20.12.2015

 Senhor Prefeito,
A prefeitura de Salvador esta construindo/ entregando 95 quadras e campos em diversos locais da capital. Os investimentos declarados são da ordem de R$ 10 milhões, sendo R$ 1 milhão da iniciativa privada. O Senhor esta aqui hoje para inaugurar a quadra da Vila Brandão.
Na Vila Brandão?
Na Vila Brandão, a quadra esta sendo costruida pelo Yacht Clube, que fala de uma obra no valor de 300.000.- Reais. O Yacht Clube, que não é uma associação beneficente, ofereceu essa obra a comunidade em troca de que?

Existe um contrato de comodato entre o Yacht Clube e a Paróquia da Vitória, que afirma que toda a zona verde em redor a Vila Brandão, uma zona de proteção ambiental, o campinho em questão de 1.000m2 mais uma área de 3.500 m2 – é de propriedade do Yacht Clube. Isso sem comprovar devidamente essa afirmação na frente das autoridades. 
Em outras palavras: no contrato, o campinho, de posse da comunidade, se torna quadra de propriedade do Yacht Club. A comunidade tem direito ao uso só pelos proximos 25 anos, sem garantia de que o prazo será esse mesmo! 
… e - porque se faz um contrato entre o Yacht Clube e a Paróquia, se estamos falando sobre as posses de área de lazer e de trabalho da comunidade?…??? A comunidade não tem voz válida?
Porque a Prefeitura Bairro, com o programa Ouvindo nosso Bairro, onde depositamos pessoalmente o pedido para uma praça de lazer com quadra, não nos ajudou?

Desde o inicio da construção da quadra, guardas armadas ficaram vigiando a obra 24 horas/dia. Como primeiro passo, o Yacht Club cercou toda a zona verde – terra da União, deixando apenas uma pequena entrada ao mar. A obra da quadra foi feita em tempo record (rápido), considerando a fundação, digna de um estacionamento: 20 sapatas e uma placa de cimento de 1 metro de espessura.

O alvará de construção foi liberado sem avaliação ambiental da obra.

As obras referentes aos estaleiros, devastaram completamente a zona de proteção ambiental de 3.500m2.

Existe um parecer ambiental sobre essa construção?
Existe um alvará de construção para essa obra em terra da União?

Nós, moradoras da Vila Brandão, que quisemos ter certeza da legalidade dessa ação, procuramos então os órgãos públicos. Por esse motivo,  fomos ameaçadas, intimadas pela delegada titular da polícia civil na Barra, Dra. Carmen Dolores por calúnia e perseguidas pela SUCOM com guardas municipais armados até os dentes!

Senhor Prefeito,
nos outros bairros, tem condições parecidas, quando vc inaugura uma quadra?
A manutenção das quadra é com a prefeitura, ou fica na mão de associações carentes de financiamento próprio?

Na comunidade Vila Brandão falta muito:
Em primeiro lugar o acesso digno para os moradores da comunidade. A descida é íngreme, a escada irregular, falta pavimentação, faltam escadas, falta contenção, canalização das águas de chuvas etc... Para os idosos, a subida é impraticável.
Para os pescadores, não tem mais lugar para concertar os próprios barcos, a subida com os barcos é quase impossível.
Falta iluminação pública – falta limpeza urbana!

Não tem uma praça pública para reunião. Não tem modulo de polícia nas vizinhanças, mas a polícia civil desce com arma em punho para intimidar os moradores. 
Isso é o modelo que a cidade oferece para educar as crianças?

A Vila Brandão é uma comunidade que não tem tráfico de drogas, onde não tem crime, não tem criminosos… é uma comunidade pacífica.
Até hoje, a prefeitura não investiu praticamente nada na comunidade, mas tudo mundo paga IPTU.

Quando vamos receber a escritura das nossas casas? A comunidade existe há mais de 80 anos.
Porque a prefeitura não investe nada numa comunidade modelo?
Porque vc vem inaugurar uma obra que a prefeitura não pagou?

Prezado prefeito,
Queremos legalização já – 
queremos escritura para as nossas casas.
Queremos uma praça.
E queremos uma área de conservação natural – 
pelo futuro das nossa crianças, 
pelo futuro da cidade!
Queremos a nossa praia, o lugar para os nossos barcos.

Queremos respeito!

Silvia Jura / antropóloga, moradora da Vila Brandão.

04/11/2015

Domingo em ação: zona verde e praia publica na Vitória


Amig@s! O domingo no parque da Vitória é nosso! 
Divulgam, apoiam, participam! 
Precisamos de vocês! A cidade quer esse parque, quer uma descida descente ao mar, quer uma comunidade modelo! A zona verde é nossa, é sua, é da cidade!
O campinho, a praia - tudo nosso - tudo da comunidade - tudo da cidade!
O espaço de lazer da Vila Brandão é o último acesso público ao mar na Vitória - 
O YACHT CLUBE quer privatizar-lo, construindo mais estaleiros para mais lanchas - mais poluição sonora e poluição do mar! 
A festa vai ser boa --- as 10:00 começa o projeto SUP na Brandão:  Stand UP Paddle!
E olha só, vai ter a campião mundial de SUP Babi Brasil e o nosso campião de triatlon Aleyson Leite, morador, nascido e criado na Vila Brandão que vão nos ensinar esse esporte maravilhoso!


Um café da manha delicioso vai ser oferecido… e vamos discutir sobre a invasão atual do Yacht Clube nas terras da União, na posse da Vila Brandão. Vamos falar do projeto imobiliário do Yacht Clube, apoiado pela igreja da Vitória, numa zona não edificavel, a última zona permeavel, um cinturão verde, onde tem uma variedade de passaros e micos -  para construir mais estaleiros, ganhar mais dinheiro e mais dinheiro e mais dinheiro… deixando a comunidade estrangulada entre o cemento dos ricos!
Vamos falar de ameaças institucionalizadas, do comportamento dos oligarcos contra o povo, do desmatamento que esta acontecendo na Vitória em pro da construção de prédios e mais prédios…

Joaquina Lacerda Leite vai apresentar o seu novo livro de poesias e reflexões: AMORES e PRECONCEITOS. Jina Carmen Souza, atriz, declamadora de poesias, arte educadora e coordenadora do projeto de educação na Casa Matria esta convidando as colegas para uma sarau de poesiaAmetista  Souza, Jeane Sanchez já confirmaram presença.



Célia Mara vai cantar as suas musicas rebeldes para nos… e esperamos mais amigos com tambor e violão chegando!
O dia vai se encerrar com roda de capoeira com mestre Veru e uma roda de samba com os jovens da Vila Brandão.

28/10/2015

O Parque da Vitória - projeto de uma cidade modelo


Vamos socializar o privilégio do por do sol mais lindo de Salvador, 
do mar cristalino em piscina natural, de fontes naturais históricas e 
de uma zona verde com alta biodiversidade!
Vamos lutar pela realização imediata do parque da Vitória!
Assine já!


O Parque da Vitória visa salvar o último acesso público ao mar na Vitória a população de Salvador. Se trata de oferecer uma zona verde pública, de descanso e de lazer, aliado à estratégia de conservação da natureza. O projeto fortalece o diálogo entre as classes sociais e a inclusão social e cultural dos moradores das comunidades de baixa renda da zona e dos bairros nas vizinhanças: Vitória, Graça, Canela, Barra…
O parque cria espaço de lazer, de esporte e fonte de renda para os moradores da Vila Brandão e ajuda evitar os avanços de ocupações, especulação imobiliária e degradações ambientais.
A requalificação sócio-ambiental da zona verde permitiria o saneamento ecológico local, haverá influenza positiva sobre a qualidade das águas do mar e a diversidade dos peixes e corais.
Será também a base para a criação de uma pequena economia de agro-floresta e de rendas para as mulheres da comunidade, pra serem comercializados nos bairros nobres das vizinhanças. Permitiria a exploração da pesca artesanal.
Se trataria de uma zona de encontro social, permitindo o dialogo e a integração social.
O parque da Vitória poderia ser o complemento ao novo mirante da Vitória, socializando o ultimo acesso ao mar na Graça, Vitória e permitindo a população dos bairros vizinhos o acesso a uma zona publica de descanso e de lazer.


• Atividades requeridas:
1. Requalificação do meio ambiente com plantação de arvores frutíferas e nativas da Mata Atlântica.
2. Proteção dos animais silvestres, dos pássaros, periquitos, micos, tartarugas do mar e demais animais nativos do lugar
3. Facilitação do acesso ao mar, com uma escada do mirante da Vitória até o mar.
4. Requalificação do acesso as nascentes e fontes naturais do parque
5. Implantação de trilhas de educação ambiental.
6. Requalificação do campinho de bambu existente como playground ambiental educativo, campinho de esporte e praça de lazer, seguindo critérios ecológicos
6. Formação profissional de moradores da Vila Brandão num programa ambiental para cuidar do parque


Presente do dia das crianças: nova invasão ilegal de áreas publicas pelo Yacht Club

O Comodoro Marcelo Sacramento no dia das crianças na Vila Brandão - dia 10.10.2015
Foi uma festa especial - o dia das crianças na Vila Brandão. Como podemos ler no site do Yacht Clube,  "O Yacht Clube da Bahia promoveu, no campo de futebol da comunidade, um evento dedicado ao Dia das Crianças, com direito a brincadeiras, equipe de animação, brinquedos e um lanche coletivo. (…)festa, que contou ainda com a presença do Comodoro Marcelo Sacramento, do Vice-comodoro Social, Roberto Duran, e do Conselheiro Nato, Jonny Brussel." 
Foi a segunda festa das crianças oferecida pelo Yacht Club nos 80 anos de convivência com a Vila Brandão! Parabéns Iate, pelo grande empenho social com a comunidade! 

Yacht Clube da Bahia: invasão de terreno público, na Vila Brandão - dia 27.10.2015
Estou me perguntando se já foi anunciado, nesse dia de alegria comprada, o inicio da invasão imobiliária do Yacht Clube na zona verde publica que começou ontem, 27.10.2015. Chegaram engenheiros e trabalhadores, e começaram a cavar o solo – para preparar as colunas de novos estaleiros! O Yacht Clube esta sem legitimidade, a questão já esta na mão da justiça.

Yacht Clube da Bahia: invasão de terreno público, na Vila Brandão - dia 28.10.2015,
mostrando também a última invasão de 03.2015, com muro realçado
E aqui, ninguém se cala! A Vila Brandão, os moradores da Graça, da Vitória, da Barra, a sociedade civil e os poderes políticos com visão de uma cidade humana, ecológica, se unem, para dar uma resposta:

O projeto do Parque da Vitória - assine já a petição para realização imediata 

PARQUE DA VITÓRIA

O último acesso público ao mar na Vitória terá um parque socio-ambiental. Esse parque vai socializar o privilégio do por do sol mais lindo de Salvador, do mar cristalino, de fontes naturais históricas e de uma zona verde com alta biodiversidade ás populações da Graça, Vitória, Barra, incluindo ás comunidades locais de baixa renda. 
Tem petição para a realização imediata - 

08/10/2015

O uso do poder publico como corpo de repressão



Que dia! Enquanto tomamos o nosso café da manha, recebemos uma visita inesperada, de muitos homens – entraram só uns cinqo, mas na frente da porta e na entrada da comunidade esperavam mais cinqo guardas municipais armados até os dentes, com metralhadoras na mão. Já sabemos de uma outra visita anterior, onde eles não nos acharam. Chegando também com cinco homens armados…  E tudo isso comunicado pela ASCOMVIBRA como troféu na luta contra… o que?!


Estou me perguntando o que esta acontecendo: a SUCOM vê interditar a nossa MEI em formação, ainda antes do prazo da formalização. Vem uma primeira vez, sem achar nada; vem uma segunda vez, sempre sem achar nada. Agora, foi a terceira visita. Sempre antes dos prazos estabelecidos por eles mesmos - e nos, na legalidade completa, seguindo os passos administrativos.

Parece bem estranho, não é?  A nossa casa é e sempre foi uma casa aberta, cheia de gente do mundo inteiro. É uma residência artística e de pesquisa, sem fins lucrativos, onde estamos construindo um projeto de Bem Viver. Recebemos amig@s artistas e pesquisadores do mundo inteiro para trabalhar juntos num conceito de uma sociedade mais justa, mais ecológica, mais feminista…

A SUCOM vem interditar – sem saber o que eles procuraram exatamente. Será que se trata do projeto de educação oferecido por uma Educadora de Arte, são as aulas de Capoeira, é produção musical - os nossos projetos para 2016? O sera a nossa hospitalidade, as visitas d@s noss@s amig@s? O trata-se simplesmente impedir de comentar no Blog www.casamatria.net?



Estamos incomodando alguém, propagando os direitos da comunidade, agitando contra um contrato de comodato ilegal entre o Iate Clube da Bahia e a Igreja da Vitoria, apoiado pela ASCOMVIBRA. 
As nossas atividades no dia dia, explicar detalhes desse contrato de comodato e as suas conseqüências de perca dos direitos de território á população da Vila Brandão, assim como facilitar o acesso aos direitos garantidos, chamando a intervenção da Defensoria Publica para apoiar os moradores, estão disturbando os grupos interessados num projeto de expansão imobiliaría facil.
Mas vivendo num pais democrático, respeitando as leis, protegidas pelas instituições democráticas e por um governo democrático, não vamos nos calar.
Casa Mátria é um espaço de sonhos, um lugar onde acreditamos num mundo melhor - num Bem Viver parar tod@s.  
E nem intriga, mentira o pressão institucional vão acabar com esse sonho.

PS: Só pra lembrar o assunto maior: O Iate Clube pretende tomar posse das terras verdes publicas da comunidade Vila Brandão para construir mais estaleiros - e oferece em contrapartida um contrato de comodato á Paroquia da Vitória, referente ao campinho da comunidade. A ASCOMVIBRA, associação de alguns moradores não legalizada, apoia essa ação.



25/08/2015

Iya Adunni Olorisha Susanne Wenger - do rio Oshun - em memorial



Babalorixá Anderson na Áustria

Julho foi um mês intenso, na Áustria. Foi um período de candomblé com Babalorixá Anderson nas instituições, na imprensa, nos museus, nos festivais… Um período para juntar povo de santo e amig@s, para conectar African@s, Brasileir@s, Latin@s e Austríac@s de todas as cores. Falamos muito de religião e cultura, de historia e atualidade, de direitos humanos, respeito, luta contra a intolerância religiosa e a discriminação racial.
Nos, Silvia Jura e Célia Mara, diretoras da globalista e da Casa Matria, queremos agradecer mais uma vez ao nosso Pai, Babalorixá Anderson de Oxalá do Ilê Axé Obatalandê pela presença absoluta, a força das suas falas e o empenho para construir perspectivas de um mundo melhor. Parecia um presente dos Deuses que nos conectou com as forças ancestrais do Brasil – na Áustria.

Aru Kuxipa e Ernesto Neto 

Foram os espíritos indígenas a acolher o Babalorixá no Aru Kuxipa, espaço sagrado dos Huni Kuin, montado temporariamente em Viena. O contexto: uma exposição do artista brasileiro Ernesto Neto, no museu tba21 em Viena, onde aconteceu um seminário sobre a cura e o poder das plantas sagradas. O livro das plantas sagradas dos Huni Kuin foi apresentado ao publico - declarando com esse ato tambèm a soverania dos povos Huni Kuin sobre a sabedoria das plantas - evitando futuras questões de patentes de empresas farmacéuticas americanas!

Susanne Wenger Foundation

E mais um encontro de grande Axé, nunca esperado, aconteceu: três dos grandes sacerdotes Ioruba trocaram Axé com Babalorixá Anderson na cidade de Krems, no interior da Áustria. A princesa de Oshun, sacerdota Adedoyin Faniyi Talabi Olosun, o sacerdote e artista Shangodare Gbadegesin Ajala e o sacerdote e artista Akintunde Sangosakin Ajala. Todos eles filhos e filhas adotivos de Iya Adunni Olorisha Susan Wenger. Susan Wenger foi uma artista plástica austríaca, sacerdota de Oshun, que viveu 60 anos em Oshogbo/Nigéria e consagrou a sua vida á defesa da cultura ioruba. Chamada pelo Ifá, ela foi encarregada de reconstruir os lugares sacros dos Ioruba, lugares de natureza, terreiros e casas dos santos. Constrói templos imensos, estatuas… Se criou um movimento artístico junto a ela, formado por jovens artistas ioruba – “the sacred art” - a arte sagrada. O que eles deixaram foi declarado patrimônio da humanidade pela UNESCO.



A luta para defender a diversidade cultural Ioruba é grande, na Nigéria também. É uma luta contra o abandono, o esquecimento, mas também contra os movimentos evangélicos pentecostais, contra o Islam. dominador e unificador. Susanne Wenger, iniciada como Olorisha, sacerdota Ioruba, foi uma pessoa cheia da poesia, mitologia e religião dos Ioruba. Ela se dedicou como artista contemporânea, visionária e livre com a clareza transcendental da sua arte, a preservação da cultura. Ela morreu em 2009. Em Krems, Wolfgang Denk, fundador do museu internacional de arte contemporânea “Kunsthalle Krems”, com a sua esposa, Martha Denk, abriram um espaço de lembrança a Susanne Wenger e as suas obras, a fundação Susanne Wenger – um espaço que acolhe artistas e ajude a difundir a cultura Ioruba no mundo. Agradecemos o Dr. Wolfgang Denk por ter nos recebido e aberto essa ponte com os grandes sacerdotes Ioruba.
Adupe Olorum! …


 
In the Studio with Sangodare from Rainer Doost on Vimeo.